A casa da Torre - uma memória de 2006 quando estava em ruína

Em 2006 a Casa da Torre estava em ruína.
Uma rápida degradação tinha começado a ocorrer poucos anos antes.
Parte da estrutura do telhado cedera.
Houve também quem forçasse a entrada e se introduzisse nos espaços, roubando o que ainda havia no interior.
Lembro-me de algum tempo antes, provavelmente em 2005, entrar uma vez na companhia do senhor Jordão Vieira que na altura tinha a guarda da chave.
O grande salão que existia do lado poente quase não tinha mobília. Recordo-me de um armário-vitrine que ainda milagrosamente continha algumas peças de louça, como pratos e malgas. Salvo erro eram peças simples, de marcas comuns nacionais, mas apesar de tudo pareceu-me estranho ainda não terem sido roubadas apesar de se perceber que muito já tinha dali desaparecido.

Também me recordo de subir ao andar superior, que tinha um grande corredor ao meio, a todo o comprimento, e diversos quartos de um lado e do outro. De uma forma geral tinham cada um uma cama e um guarda-fatos e no guarda-fatos havia bastante roupa, que se percebia ser bastante antiga, diria dos anos 1930/40, ou mesmo anterior.

Mas regressando a 2006...

Já se falava que a casa ia ser alvo de intervenção / recuperação.

Achei que seria interessante guardar memória do estado a que tinha chegado e recolhi algumas fotos e vídeos que aqui pela primeira vez partilho.

Recolha de fotos

Vista do pátio interior. Do lado direito a porta em arco gótico, com portadas deterioradas e sem fechar na parte superior.

O lagar com a prensa antiga e parafuso em madeira

A sala - espaço de passagem entre o salão do lado poente e a sala do lado nascente, que fazia um varandim sobre a sala do rés-do-chão a qual tem a porta de arco gótico que dá acesso ao pátio interior e por onde se vê entrar luz nesta imagem.

Vista do mesmo espaço, do lado sul. A porta à direita é a que dá acesso à escadaria principal da frontaria.

Alguns espaços tinham tetos pintados

Espaço da "Porta gótica", parede oposta. Esta parede é a que fica por trás da escadaria principal. A escadaria tapou uma seteira.

Note-se a imponência da trave de suporte do andar superior. Lembro-me de na altura sugerir que se guardassem alguns cortes destes troncos, para estudo posterior, mas como seria de prever, nada se guardou e este "gigante" como os outros deste edifício, seguiram para parte incerta.

Vão de uma escada de acesso entre o primeiro e o segundo andares. Visíveis um armário embutido na parede e a estrutura em tabique de uma divisória.

Lareira. Não me recordo da localização.

Outra vista da mesma lareira

Vista do segundo andar. O corredor e os quartos de ambos os lados. Percebe-se que as divisória do lado direito são bem mais recentes.

Escada que conduzia ao sobrado, piso mais elevado, debaixo do telhado.
O telhado, como referi, estava nessa altura a colapsar, como se observa na imagem seguinte.

Vista do sobrado com o telhado em colapso.

Vista panorâmica tirada do primeiro andar

Quando estava no primeiro piso tirei algumas fotos em sequência, para se conseguir uma vista panorâmica. Pode visualizar o resultado no ponteiro seguinte.

No extremo esquerdo, vê-se Belmonte. No extremo direito, o "Outeiro do Talefe" ou "da Toca da Moura"...

https://k00.fr/jit67c5p

Vídeos

A experiência de andar naquele espaço com tanta carga histórica foi única. Por essa razão fiz dois vídeos. Apesar da qualidade do vídeo ser fraca pelos padrões atuais, penso que vale a pena a partilha.

Vídeo 1

Andando na sala central do primeiro andar (por onde se entra usando a escadaria principal em face à Rua Direita)

https://k00.fr/78v8jnq0

Vídeo 2

Andando no espaço do rés do chão que integra a porta gótica (fica por trás da escadaria principal)

https://k00.fr/m67eod3a

Fim da publicação

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