Quem era o Costa?

Ao dar um passeio em Caria, no final de mais um dia, passei pela capela de Santo António, o que terei feito já centenas de vezes. A luz do sol batia na fachada, dando-lhe uma luminosidade “quente” e aconchegante.

A moldura do pequeno janelo à esquerda da porta apresenta um simples mas bonito trabalho de cantaria. Na parte superior o mestre pedreiro que terá feito a reconstrução assinou e datou a sua obra: Costa 1767.

Já vi esta inscrição muitas vezes. Mas nesta última vez, uma luzinha se acendeu na minha mente, surgindo uma pergunta, mais uma vez relacionada com o nosso levantamento de registos paroquiais:

Seria possível averiguar quem era esta pessoa?

Curiosamente “Costa” era um apelido raro em Caria, o que facilitou a pesquisa.

O registo que trouxe uma primeira informação foi o de um óbito. A 24/11/1767, ocorreu o falecimento de Francisco, de 8 anos. Era filho de José da Costa pedreiro, natural de Castelo Branco e de Maria Esteves.

Curiosamente nesse ano de 1767…

Como o óbito foi perto do final do ano, provavelmente foi após a conclusão da obra. Depois de uma alegria por ter terminado um trabalho importante, ocorreu esta tragédia familiar.

Não há menção de registos de casamento deles, nem de filhos deles. Terão casado em Castelo Branco possivelmente.

Também não encontramos registo de nascimentos de filhos nem de netos. O Francisco terá nascido noutra localidade, talvez Castelo Branco.

A esposa faleceu a 24/9/1787, com cerca de 60 anos de idade, referindo-a como casada, ou seja o marido estaria vivo. Refere o registo ser, como o marido, também natural de Castelo Branco.

Não há registo de óbito dele, pelo que se presume que tenha falecido noutra terra, decerto prosseguindo o trabalho na sua arte.

Em jeito de conclusão

O “nosso” Costa chamava-se José da Costa. Não sabemos a idade, mas seria provavelmente de idade semelhante à da esposa, o que leva a supor que teria cerca de 40 anos quando terminou a obra da capela de Santo António.

Aqui deixou obra, mas também os restos mortais de um filho e decerto sentiu momentos de grande alegria mas também derramou algumas lágrimas.

Deveria ter bastante prestígio para que o autorizassem a deixar gravado o seu apelido de forma tão marcante.

Depois de terminada esta obra terá prosseguido a sua profissão noutras terras. Por alguma razão a esposa continuou a viver em Caria.

É mais um bom exemplo de gente que, vindo de longe, ajudou a construir esta nossa terra…

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